Tropiklha da Saudade
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De um dia , voltar ao pago, Tenho uma baita vontade E este sovéu que me prende Terá outra utilidade Sem ser esta que me amarra Vou dar um pealo de cucharra Numa tropilha de saudade.
Saudade do coleginho E do luar cor de prata Do açude, do potreiro, Do meu cusco vira-lata De tudo me lembro bem Até do apito do trem Do campo verde e da mata.
Os meus tempos de guri Não esqueço nem por nada Do cartapaço, da pedra, Que ainda tenho guardada Da primeira professora Minha mestra orientadora E da primeira namorada.
Da velha cancha de bocha Eu jamais me esqueci Onde jogava escondido Porque ainda era guri Tapete de chão batido A capricho construído Pra indiada se diverti.
No feriado ou no domingo Jogava-se o dia inteiro Ali vinha o peão de estância, O magarefe e o turmeiro Onde o guasca mais astuto Depenava resoluto A guaiaca do parceiro.
Quero mostrar às minhas filhas Onde brinquei em menino A passarada gorgeando Em coro fazendo um hino Ver de novo o quero-quero A bodega do vô Severo E a cancha do João Claudino.
Se um dia eu voltar ao pago Será feita a minha vontade Este sovéu que me prende Terá outra utilidade Sem ser esta que me amarra Vou dar um pealo de cucharra Numa tropilha de saudade.