Alma em Verso
Poesia

Décima Inconclusa aos Recuerdos

Moisés Silveira de Menezes

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Confrades de rimas rudes, Tupã foi berço divino pra quem aprendeu a cantar com claves de vento e rio pois, a Mãe de Deus abençoou as águas do Toropi meu rio irmão peregrino que serpenteia na serra pra se espraiar vagaroso pelo verdor dos varzedos.

Irmandade combatente de noitadas mal dormidas onde as guitarras assombram os fantasmas que trazemos e o poema toma forma do coração do cantor; Peço permisso e tenência pra o verso sem pretensão que vem com cheiro de poeira de tanto cortar estradas.

O amor desenfreado acendrado, impregnado no corpo e alma da gente pelo verso de tiro largo nos fez assim, companheiros irmãos de noites insones, das horas boas e tristes se é que existe tristeza pra quem canta de alma aberta, alpedo, empilhando rimas.

Quando o passado desfila no potreiro das lembranças um corolário de imagens cvem adornar a existência. Uma silhueta brejeira com crespos em desalinho habita pelos recuerdos, como se fosse um fantasma que em brumas envolto vem inquietar as madrugadas.

Malabruja, um mouro negro calçado nas quatro patas frente aberta, marchador me traz imagens distantes de campo, gado e mangueira sem olvidar os passeios ao trote sem muito alarde quando em pilchas de domingo rumbeava ao rumo do povo negaceando algum romance.

Talhada aos cinzéis dos ventos no topo de um plano grande, a cidade donde eu vim que vista assim de relance nos dá ligeira impressão do tempo não ter andado. :Engano, são fantasias quem chega é sempre um menino, quem parte, um homem curtido pelos repechos da estrada.

Nas ruazinhas estreitas parece ainda viverem incontáveis personagem que me povoaram a infância. Um louco trançando notas num canto de rimas pobres, um andarilho, um ginete e um gaiteiro repontando uns casais desparcerados na casa da “carreteira”.

Num bolicho de arrebalde de variado sortimento um rádio marca Mundial entretinha a parceria, com toadas e milongas entre chiados e reclames. Vez por outra um trovador desencordoava da idéia um versejar bochincheiro numa sextilha campeira.

Nas horas lentas do mate a tropilha dos recuerdos vem pastar a tenra grama dos varzedos interiores. O poema brota rindo como vertente de cerro, como cascata de arroio, para encerrar no piquete esta potrada gaviona que despersou-se a lo largo.

Bem mais tarde, sol se pondo, chegada à boca da noite, as sombras fazem do rancho uma ode à solidão. Volto dos longes que andei em meio ao canto dos grilos, tento cerrar esse poema nessa décima inconclusa deixando aberta a porteira para os recuerdos voltarem