De Volta ao Pago
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Feições de gente sofrida, jeito de homem campeiro, bombacha de pealar pinto, uma bota de garrão pediu licença prá todos, boleou a perna e apeou.
Pelos traços: caborteiro, um bigodão de respeito, olhando meio por baixo d’um “sombreirito” barroso, pela cor, muito surrado, igual ao dono, talvez...
Se dirigiu de vereda ao bolicheiro gordacho, pedindo meia garrafa de cachaça misturada e dois dedos de purita para espantar o calor.
Caladão de pouca “seca”, perguntou, meio prá todos, quantas léguas se gastava para chegar “de a cavalo” no rincão denominado Passo do Itacurubi.
De veredita, um afoito, muito pronto e voluntário, mostrou c’o cabo do mango a direção d’um atalho, donde daria certito no dito cujo lugar.
- Mil gracias. Quanto lhe devo? Indagou, meio sem graça, ao bolicheiro ladino, conversador como o diacho, mas prestativo prá todos que passavam por ali. - Nada lhe custa, amigaço. - Quem sabe mais algum vício? Parece que adivinhava que os cobres do forasteiro mal cobriam a despesa, não sobrando nenhum “real”.
O taura, desenchavido, bombeando para o cavalo, ofereceu para todos uma adaga pura prata, enfiada por entre as garras, com o cabo à “mão de semear”.
- Empenho por qualquer preço, retiro quando puder. - Minha “lombo de vareta” só desmancho as iniciais, eu carrego, justamente, pras horas de “percisão”. Um rapazola pilchado, com ares de fazendeiro, encarou pro forasteiro, falando sem titubear: - Pode gastar a vontade, não venda um ferro de lei.
Deveras, meio sem jeito, sem saber por qual razão era tratado por todos como gente do lugar. Resolveu “floxar” a língua num estilo todo seu.
Senhores, se me permitem, vou descartar as tristezas neste resto de domingo, já quase ao anoitecer, venho chegando do povo, tenho muito prá contar...
- Saí daqui gurizito, inclinado pr’os arreios, quem sabe até não daria mais tarde prá domador? - Resolvi bater matraca, campeando o que não perdi.
Vi coisas do arco da velha, só vendo prá acreditar... Lote de gente nas ruas, mãos no bolso, almofadinhas, proseando e dando gaitadas, pelo jeito, mui vadios.
Alguns com jeito de homem, outros, com tipo esquisito, me bombeavam de bombacha, empeçavam cochichar, como se eu fosse estrangeiro chegado de outro país.
- Comecei campear trabalho, tão logo me coloquei. Prá um homem que se defende não existe ponta ruim. Os cobres não aparecem pra quem não quer trabalhar.
- Assim passei muitos anos, mas nunca me aclimatei. Não existe igual aos pagos, isso posso garantir, por isso venho a cabresto e não tenciono voltar.
- Vou fazer tudo de novo no lombo do meu cavalo. Me sobra força nos pulsos para o que der e vier. Lastimo, porque no rancho não vou achar mais ninguém. - Gauchada como essa, lhes digo, só por aqui. Vou convidar o meu ruano, vou gastar o que me falta, e contem com um amigo às ordens no Passo Itacurubi.
- Bote dois dedos de pura Porque preciso chegar!...