De Primeiro
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Qual um pagé missioneiro Dos Sete Povos- me ajoelho, Marcando no chão vermelho Meu brasão de feiticeiro, Janeiro, atrás de janeiro, Venho vindo- com paciência, Mas agora esta querência Não é como “de primeiro”.
“ De primeiro” eu era piá que apenas engatinhava, mesmo assim, não me assustava com fogo de boitatá e, crescendo, ao Deus dará, No instinto de viver, Desfrutava sem saber, Tudo o que a infância nos dá.
“De primeiro”- era bom, nos comércios de carreira, no lombo da perelheira já desde o prender o grito, taloneando, despacito, pra honrar o sangue e o braço e, cruzar no fim do laço, rebenque erguido, solito.
De primeiro- era faceiro, Preferido das xiruas, Andava arrastando as puas Num trancão de patacoeiro Sem rumo nem paradeiro, Cruzando de ponta a ponta E, só agora me dou conta: Como era bom”de primeiro”.
De primeiro- era pavena Nos bastos me fiz tinhoso, Se o quebra arrastava o toso Lo charqueava de chilena E, quando valia a pena, Por um beijo e um abraço Levava até manotaço De muita tigra morena...
De primeiro”- sempre ouvindo Da boca dos mateadores Sobre passados amores Ou de tempos sumindo, Os andejos repetindo Antigas evocações, Peleias- revoluções, “De primeiro” é que era lindo!
Eu fico a pensar, parceiro, Hoje, sou tronco e raiz, No Rio Grande, o meu país, Que teima em ser brasileiro; Amansou-se o caborteiro Com crina de gavião mouro, Já não existe índio touro Como havia, “de primeiro”...