Poema Transcendental
A luz do palco aberto é um convite à poesia... O poeta acende o verso no portal da fantasia.
O encanto da palavra vaga nas asas do vento, gela e queima em sua lavra, nas linhas do sentimento.
Qual dor escorre da pena sobre a página vazia na tradução do poema pelo corte da sangria?
Que mistério esconde a chave da chama das inquietudes? Quem transcreve o amor em claves com sua voz de alaúde?
Quando a alma do poeta sai do leito, inunda as margens, o poema se completa ante à verve da estiagem.
Quando os versos ganham asas e pousam nas entrelinhas, na pena que a tinta vaza a poesia se aninha.
Um violão chora triste entre primas e bordões quando a saudade insiste em pontear as emoções
e uma voz embargada soa amarga na garganta – cada lágrima salgada é punhal que não se arranca –.
A luz do palco aberto é um convite à poesia... O poeta acende o verso no portal da fantasia.
O espelho do poema reflete a luz do universo – na trajetória da pena nasce o sentido do verso –.
Que palavra abre as portas do céu da inspiração quando a pena não comporta o que traz o coração?
Que acorde acolhe o verso na pauta de um compasso? Quanto cabe no avesso da palavra, em seu abraço?
Quando a alma palpita, nasce o verso, improvisado. O universo nos habita em cada verso rimado.
O poeta mata a sede ao beber água da fonte pra ir além da parede que lhe cega o horizonte.
O sonho ganha o infinito pela janela do palco entre o silêncio e o grito do verso em autorretrato.
Um poema, envolto em brumas, voa da folha silente pra ser mar, pedra e espuma muito além do continente.