Poema de Luz e Céu
Palavras de luz e céu despontam no horizonte da aurora dos olhos teus... Sou menos noite que antes; despacito, amanheço; serei dia num instante... Fechara os olhos, confesso... Céu sem lua nem estrelas quinchava o meu universo... Mas, ao abrir as janelas desta minha casa escura, soube: o amor inda cintila... Construí minha clausura sem lume, sem poesia, pois não encontrava a cura pra ferida que ardia no meu peito, envolto em breu; minha alma anoitecia... – Meu olhar enegreceu à medida em que a noite me abraçava em denso véu –. Por destino, ou por sorte, iluminaram-se as retinas e eu recobrei meu norte quando pude abrir cortinas e gozar do alvorecer lumiando, de relancina, a negra alma deste ser que lentamente desperta em seu novo amanhecer. Na manhã de céu aberto, outra vez eu vejo o sol luzidio e o meu peito se aquece em arrebol que não resta de meu pranto uma lágrima de sal! – Sei que, de tamanho encanto, finalmente me fiz dia como um dia, por quebranto, fora, mas que a noite fria, com seu poncho assombrado, jurou que não mais seria... –. Hoje, as sombras do passado desvanecem, uma a uma, com o dia ensolarado que em meus olhos se apruma. Coração bate depressa as suas asas em pluma rumo ao céu que é uma promessa – renovam-se as esperanças a cada dia que empeça –. Amanheço nesta ânsia, recorrendo a velha trilha que o amor, em minha lembrança, novamente apresilha: o sol sabe do poente, mas nem por isso não brilha... Despontam no horizonte palavras de luz e céu; sou menos noite que antes!