Meu Cavalo
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Que nunca levou um laçaço, Nem mesmo quando potrilho, Apartando num rodeio, Bastava tentear no freio: Já paleteava o novilho.
Quando chegava o domingo, Com gosto, encilhava o pingo Pra visitar o rincão. Eu ia na pulperia E o picaço parecia Que nem pisava no chão.
Entrando ali no povoado, Todo o mundo, admirado, Namorava meu cavalo. Por ele eu tinha carinho, Pois meu finado padrinho Me ofertara de regalo.
Crioulo lá do meu pago, Gostava até do afago Duma chinoca faceira. Mais veloz do que uma seta, Nunca houve, em cancha reta, Quem lhe deixasse na poeira.
Mas, o que é bom dura pouco... Por isso, mesmo que louco, Ando a escutar seus relinchos. Se fui ingrato não sei; Matei meu pingo de lei, Companheiro dos bochinchos.
Chegando a revolução, Fizeram requisição Para levar meu picaço... No meio daquele apuro, Não vacilei, eu lhe juro, Atravanquei-lhe um balaço!