Pela Essência do Verso
Cristiano Ferreira Pereira e Everton Michels
II Festival Querência Amada - RolantePublicado em
Quando a lua brinca na aguada pra um olhar beber poesia, e as brumas se desfazem Para um verso que extasia, um coração campechano busca a volta.. pra encilhar um novo dia.
Quando um flete atira o freio ondulando nas coxilhas... Navega nele um campeiro, na laguna dos desejos... Do vento... afago e arpejos, da prenda... saudade e o cheiro no "olor" das maçanilhas.
Quando a solidão - querendona – se arrancha peito adentro, e os olhos bombeiam longe campeando quem sabe quem? Na invernada da lembrança o coração corcovela... repontado na esperança.
Quando a rudeza de uma lida castiga o peão e a rês, calejando mãos e abrindo sulcos na tez, é no perfume da vida que o taura que não se "olvida" qual um "Homero"... campeia a parceira pras recorridas.
Quando a saudade atormenta, necessitando atenção, o pensamento anda ao léu num sem fim de escuridão, vagando em meio ao vazio, levando junto um anseio, buscando ao certo o seu brio.
Quando o silêncio se agranda, a espera de algum "silvido", o próprio tempo padece sem conhecer o motivo... Atrás de um simples consolo, o carinho de uma palavra, o aconchego de um colo.
É nesta hora... de matear solito... Tangendo o inatingível... Do carinho daquelas mãos Junto à cuia. de sorver luar nos olhos dela. e neles o verdor de campo e mar... E mergulhar nesse olhar... Pra me embriagar da magia....
É ai... que a alma se regozija pela essência do verso... Quando o Patrão do Universo... Registra por um escriba mil razões do seu querer... Tecendo em cada vivência uma palavra... Em cada palavra uma história... Em cada história uma experiência... Seguindo um curso aleatório, sem destino, sem futuro, sem qualquer caminho seguro... Transpondo o inexplicável, tornando concreto o abstrato, deixando um simples relato, gravando um algo imutável.