Alma em Verso
Poesia

Paz e Luz

Cristiano Ferreira Pereira

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Perpassa pro papel, a pena, A paz que verte em poema No mais sublime sonhar.

Reluz a Luz que procuro, Mesmo no vazio do escuro... Quando mereço encontrar.

Paz e Luz... Confundidos com destinos Aos quais se queira chegar. Paz e Luz... são caminhos convergentes Pelos quais se deve trilhar!...

Duas palavras pequenas Mas com tanto significado... Que contam muito da História E das buscas sem-fim do Homem.

Terá sido sempre assim? Pode-se mudar as páginas do futuro E escrever outras que não nos levem ao fim?

A Paz... Àquela que trata da harmonia do espírito, Da calma e serenidade... Que marca a ausência da guerra; A extinção do combate; O aperto de mão sobrepondo as armas; A vitória da peleia por palavras... Onde a aliança da pena com os homens, Traduz pro papel a conquista do acordo.

Luz... Bendito sopro da vida! Essa magia estupenda Que brota com a poesia... Somando dois em um só. Luz... A procura em cada rumo traçado De encontro com a sua fé Num mundo melhor... No Supremo Criador... Cada povo a sua maneira Mas focando neste Norte.

Paz e Luz... Tão singelas palavras Encerrando em meia dúzia de letras Milhares de anos do agir das civilizações.

Mas que paz buscaram os homens? De encontro a qual luz marcharam?!

Talvez alguns tenham confundido a paz, Com a supremacia extrema do poder, Com o domínio material, Subjugando povos e nações... Quem sabe com a visão Ofuscada por outra luz, Àquela do astro-rei refletindo no vil metal... Que cega os olhos... com a ganância, E... petrifica o coração dos fracos?!

Poderia ser a luz da ciência, Do conhecimento, do desenvolvimento?... A luz da consciência?... A luz do bem querer?!

Mas, este... “querer” Foi sempre o do mandatário Ou de seu conselheiro da fé! A paz é sempre o objetivo final, Substantivo perdido... Distante das entrelinhas do texto... Porém... é sempre o pretexto Para o rufar dos tambores Que soam pelo poder; Pelo domínio imperialista... Pela imagem cunhada E o luzir falso... do ter!

As questões atropelam E tomam razão e sentido, Ganhando asas na voz: Qual é a luz que tu buscas? Qual é a paz que tu tens?

Quem sabe a paz dos silêncios solitários Num auto-exílio por medo?! Dentro de um ranchinho gradeado. Quem sabe a luz do luar No espelho da aguada Que verte no teu olhar, Diante de cada injustiça Que o dia-a-dia te impõe?

Lhes digo... Que guardo pra mim Que cada um tem a paz e a luz Que mais lhe convém... Seja por falta de vontade De remar contra a maré, Seja por ausência de força moral; Mas... de pronto aflora a sentença: Isso é a derrota do bem... para o mal!... A paz que trago comigo Não está no branco das vestes, No ramo das oliveiras... Ou em alvas asas de pombas. Está na mão que afaga E no serenal da consciência justa... Está na voz... na palavra, Clamando por bem comum; É olhar... e ver a face do irmão; Está no meu chimarrão... Que agrega e chama a prosear Pra mil idéias semear No solo fértil de cada coração.

A Luz... Esse clarão de alma... Que é rumo certo e abrigo, Fé e esperança... que cada qual trás consigo, Se mostra à face daqueles Que querem lhe enxergar.

Então que Paz que tu tens? Que Luz ilumina o teu andar?

Por isso afirmo senhores: Que desejo que essas linhas de esperança Redobrem hinos de paz Ecoando com emoção Na mente de cada um; E que o sonho do bem comum Nos leve... de um a um, Pra paz sem dono ou senhor... E pra luz sublime... do amor!...

Crédito da fonte: Crstiano Ferreira Pereira