Alma em Verso
Poesia

Cova de Touro

Apparício Silva Rillo

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"Cova de Touro" me chamam e o porquê não me interessa. Quem por frente me atravessa se plancha, roda ou tropeça e abre basteiras no lombo.

Minha mãe é a madrugada colorada, meu pai um galo que morreu quando nasci. Seu canto claro de alegrias e alvoradas calou-se nele e canta em mim, desde guri.

Carrego a pua deste galo nas esporas e sóis de auroras no meu pala-ventania. Encilho xucros e no embalo dos corcovos balanço a alma retovada em rebeldias.

Sei que meu tempo já cruzou, Sei que sou cria de um duro angico que ficou só na raiz. "Cova de Touro" não me troco nem me vendo, porque entendo que o destino assim me quis.