Corredor
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Que leva a mágoa que eu trago; Que arrima, de pago em pago, Velhos fogões da querência. Corredor...pura inclemência; Estrada sem esperança, Comprida, mas que não cansa Porque eu tropeio a existência.
Estrada que serpenteia, Traçando rumos no chão; Corredor do meu rincão, Da sanga feia e bolicho, Ao te lembrar, eu capricho, Sacrificando a memória; És mais um tento da história, Que, descarnado, eu espicho.
Corredor, olha a porteira, Que dobra pra o lado esquerdo: Naquele velho arvoredo, Onde o chão está pelado, Vejo meu pingo amarrado, Num domingo de carreira E a china alegre e faceira, Que se acostava a meu lado.
Oh! Velha estrada real, Grosseira e sem complacência, Que atolava a diligência Da filha do fazendeiro... Até relembro o boleeiro... A castigar os cavalos Para arrancar dos teus valos Aquele encargo folheiro.
Quanta carreira ganhei, Na tua estrada batida; Quanta noite mal dormida, Num pouso de carreteiro... Ou, então, mui prazenteiro, Na culatra duma tropa. Quanta roupa a gente ensopa, Debaixo dum aguaceiro.
As sortes são diferentes, Embora viajando perto: Tu levas destino certo, No destino vou atrelado... Já me tenho rebelado E, por ser pescoceador, As voltas do maneador Já me deixaram marcado.
Corredor, estrada certa, Que nunca levou perdida. Na estrada da minha vida, Quantas guinadas já dei... Pedi a Deus já implorei Pra que evitasse um estouro Da tropa que ao matadouro Por que reponto, nem sei.