Com Permisso
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Permisso, caro patrício Pra soltar meu canto largo Com oficio do meu cargo Neste começo de noite Num aspecto de açoite Quando Rio Grande se hermana Pra confraria dos versos Pra cultura ter sucessos Da guapa vida aragana.
Neste galpão campechano De pau-a-pique barreado O pinho faz um costado Eu, patacoero, declamo A cultura do pampa eu chamo Quero contar as façanhas Do índio xucro do pago Que se criou meio vago Cruzando nossas campanhas.
Este gaúcho que falo E o mesmo venta rasgada Que ao toque de clarinada No alvorecer do Rio Grande E sem que ninguém mande Montado, e bem a cavalo Em prol da pampa gaúcha De espada, lança e garrucha Cinchando no mesmo embalo.
Foi ele sim, o mangrulho O sentinela avançado Rude, guasca abaguala Que não conheceu maneia Mas pronto a qualquer peleia Sem nunca dobrar o penacho No velho estilo robusto Por que não nasceu de susto E nem foi criado guaxo.
Sempre esteve na vanguarda Como ponteiro de tropa Chapéu, batido na copa Pachola e desafiador Homem puro e peleador Olhos de tigre em peleias Que calça o pe e não recua Pois traz o sangue charrua Galopenado pelas veias.
É dele que a historia fala Há mais de trezentos anos Os seus feitos sobre-humanos Aonde a coragem avança Escrito a ponta de lança Em tantas revoluções Lutou sem pedir clemência Pra defender a querência Da gana de outras nações.
Conserva o mesmo estoicismo Que recebeu por regalo Entre escolta de cavalo Com chuva, vento e frio Banhado, mato e rio Peleando por vitória Com o suor sobre a face Pra que o Rio Grande entrasse No ciclo da nossa historia.
Então meu caro patrício O meu alerta já fiz Do sul do nosso país E dos homens peleadores O históricos de valores De adaga e lança na mão De camisa aberta ao peito Pra impor o respeito Em defesa do nosso chão.
Sim senhor muito obrigado Por me ouvir um momento Expressei o sentimento Daquilo que nos legaram E que também entregaram O que o gaúcho deseja Dentro da própria experiência Que o passado da querência Tem vida de alma andeja!