Alma em Verso
Poesia

Prá Ser Sombra

Colmar Pereira Duarte

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Cresci no meio dos pastos buscando o sol, por instinto. E foi a ânsia que sinto de desvendar minha sorte, que me deu razão pra vida, dando sentido pra morte.

Minha alma é campo aberto; não tem dono nem divisa. Entrega-se a quem pisa, dá frutos a quem a planta; entristece com quem chora pra se alegrar com quem canta.

Sou como árvore sozinha que estende os braços à estrada. Dou sombra, sem pedir nada, aos cansados do caminho. Com o canto dos passarinhos me sinto recompensado.

Nada peço, nada espero, não quero o que não mereço. E das penas que padeço não me queixo nem me esquivo... Ninguém sofre sem motivo; toda alegria tem preço!

Sozinho à beira da estrada, vou cumprindo meu destino. Não invejo o peregrino que à minha sombra descansa; ele vive de esperança... e eu sou razão do caminho.