A QUEM EMBUÇALA OS SONHOS
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Enquanto um “hornero”, Faz bombeador da cabeça de um palanque, (na liturgia antiga de chamar o dia em “tempraneras” clarinadas) Antônio Estarrabachél, “empeza” a lida com o sentar crioulo de basteiras, (num bulido “muy” sestroso, remarcado do bocal...)
Ateia as primeiras luzes de um crepúsculo pampeano com as centelhas da alma, na ascendência terrunha que desliza em suas veias e artérias... pois a lida lhe crismara “changueador” bem antes de sua própria vida existir; talvez porque o pai (naqueles tempos de antanho) fundeava trilhas compridas e recruzava corredores e estradas pra transpassar horizontes com tropas largas e cavalhadas de muda por diante...
...Campeia a volta...acha!... e entrega uma forquilha costumeira dos recaus... ao trote...sai pechando as barras de um novo dia nos encontros do bagual... no “bocó” juntos aos arreios a “corneta” (tesoura buena) de folhas bem “templadas”... pois no “Don Feliciano” “hay” matraquear de comparsa...
No caminho para a estância o pensamento revoa... tremula revolto topando o vento, tal qual a crina dos “pajonais” na vastidão da planura, e as franjas de um “palita” castelhano, drapejando, com cismas de rancho e bandeira... nesta hora até o silêncio se cala, para ouvir a tessitura dos cascos, o trino campeiro das rosetas das esporas, e o rangido de um basto (sovado a “bolcadas” dos baguais que encilhou).
As léguas que o apartam, vão mostrando pouco-a-pouco entre o serenal as velhas cicatrizes do chão (fundeadas do entrecruzar dos tantos, que viveram prisioneiros da mística dos caminhos...) hoje marcas solitárias, que findam na ausência das marchas e tropéis, à mercê das erosões das chuvas e dos areais...
O tempo despatriou campeiros do trono realengo das garras, para catequizar os índios pavenas paridos no campo a fora com outras lides e crenças... maculou o sangue centauro e potreador com a “santa benção do futuro” e fez sulcos das trilhas tropeiras para semear agruras aos que encilhavam o lombo xucro do próprio destino; dissipou a imagem barbaresca e campechana dos bravos homens que habitavam os rincões, até emangueirá-los nas trampas dos arrabaldes, junto à penumbra dos submundos... lugar que resta aos que nascem com a sina de habitar galpões, encilhar ventenas e recorrer invernadas, mas por suas efêmeras ilusões definham atraídos pelo ouropél dos luzeiros das cidades...
...depois das léguas... as retinas nebulosas de remembranças e distâncias, trocam as luzes fogoneira da memória, pela visagem sombria da solidão da porteira... ...apeia...sem pressa...(com porte bélico e com o bagual mais sujeito)... “A tranquera” dá seu “buenas!” num ranger dolente, tal como vóz de um passado longínquo, ainda ecoando pelas várzeas e canhadas...
...por fim a estância... a lida e a vida que forjou a si e os seus... o sustento e a forma de torná-los imortais, diante das muitas cruzes e taperas, ou quem sabe quimeras de seu mundo não findar jamais!?...
...a clausura de um fundão dá-lhe a impressão de estar salvo!...livre!... então um riso lhe aflora a face bem quando as vozes da peonada pelos ares saem de encontro a seus tímpanos e sentidos... por um momento o som que ecoa das mangueiras e galpões “lhe transporta” a tempos e lugares perdidos, sem saber como os perdeu...
...E neste mesmo instante olfateia e pensa: -enquanto o verde das paisagens se fizer pendão das minhas esperanças, e potrilhos recém lambidos cambalearem entre o macegal, eu hei de calçar “potreras” para alumbrar auroras com estrelas cantoras,riscando o pêlo dos fletes e embuçalando os meus sonhos!