Carta Aberta a Um Magistrado
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Meritíssimo Juiz Peço vênia neste instante, Porque reputo importante fazer a observação; Eu não tenho a pretensão de contestar a justiça, E, tampouco, é insubmissa a postura que detenho. Quero dizer-lhe a que venho, Baseado numa premissa:
- A lei existe pra todos – É um princípio do Direito. A essência desse conceito é a Carta que determina; E, se a ninguém descrimina, pressupõe-se a igualdade Impondo pra sociedade difusas obrigações: - Normas, valores, padrões e noções de liberdade.
É aí que me refiro Como um gaúcho liberto, Que campeia o rumo certo nas normas do proceder; Quanto mais procuro crer nos homens de ideia pura, Mais eu enxergo a figura e imagem do traidor, Que trapaceou o Criador e esqueceu que é criatura.
Não que eu veja só maldade, Também não generalizo. Nem me cabe fazer juízo dos erros da humanidade; Mas, me inquieta - na verdade - as diferenças que existem: Alguns que a luta persistem, sem nunca terem regalo, Servem de burro e cavalo, que à dura lida resistem.
Outros, que têm privilégio, Herdados pela influência, E, jamais por competência, que não é pré-requisito; Porque o sistema, esquisito, consegue dar garantia Aqueles que “mais valia” lhes foi sempre generosa, E a sorte se pôs viçosa pra tantos “sem serventia”.
Se fala em função social Do trabalho e propriedade, Querendo que a sociedade se considere mais justa; Mas, quem tem visão, se assusta das regras que são impostas: (- Tem quem gosta se não gosta! – Tem quem queira se não queiras!), E o povo forma fileiras, e o poder... Vira-lhe as costas...
A estória dos Três Poderes: - Harmonia e independência – O que existe é conivência entre a classe dominante, Onde a barganha é constante e, todos se garantindo, (Enquanto o povo dormindo no esplendor da boa fé). Esta terra de Sepé vai aos poucos se esvaindo.
Data Vênia, Meritíssimo! Hoje busco explicação. A nossa constituição traz por lema a garantia De escola e de moradia, de saúde e segurança; Prioridade à criança, atendimento ao idoso. Será que é muito custoso alguma luz de esperança?
Abaixo os oligopólios E a formação de cartéis, Embrólios e “menestréis”, e o vil corporativismo. Avante a honra, o civismo, cidadania e respeito! Pois se não há outro jeito, que se organize um levante! Que o próprio povo garante de corrigir o defeito.
Que o seu poder, Meritíssimo, Desperte da letargia. Se imponha, com fidalguia, na interpretação das leis; Não pra amparar suas greis, nem garantindo salários, Mas, punindo os salafrários, e promovendo a equidade, Pra livrar a sociedade da gana dos mercenários.
Essa Pátria campechana, Conquista à espada e lança, Nasceu pra ter pujança, ser esteio e referência; Foi chamada de querência por puro patriotismo! Com a alma e com telurismo, não se limita em fronteiras, E se irmana nas bandeiras com brasões de gauchismo.
Por fim, então peticiono, A alta Magistratura, Que, ao se lavrar a escritura do pampeano chão sagrado, Não haja um deserdado, na vastidão, que é imensa! Independente de crença, de posição e de cor, - Que use a pena do amor, para assinar a sentença!