Divagações em Meu Mundo pelos Meados do Inverno
Meu mundo, meados de junho, chega-se o tempo que espero na estação tão friolenta que aquece minh’alma fecunda. Os matizes do inverno sompram um vento gelado, guasqueaços que no passado enrijeceram meu cerno.
Talvez eu seja vaqueano nesta invernalização, aonde meu pensamento pós período de anestro vem ciclar recordações vem sentir carícias fortes do tempo que me dá norte em ontogênica visão.
Vislumbro as noites gaúchas de invernia no meu pago onde o vento busca estrelas florescidas na geada, e até a própria natureza se veste pra esta lida. No véu de gelo que acalma eu enxergo minha alma sobre o campo refletida.
Arrasto a espora de ferro com o papagaio comprido, que abriga abrindo sulcos sobre a dobra do chapéu, abro as asas do meu poncho que na baeta encarnada traz o calor do braseiro, e este abraço campeiro na vida, não troco por nada.
O relincho da potrada e os berros da gadaria, acordando as manhãs frias prenhes de planos e quimeras. Uma tropilha de versos cavalga a imaginação, e um mate gordo de espera pra aguardar a primavera vir trançar a inspiração.
É tudo o que eu quis na vida, pois nunca pedi riqueza, e estas coisas que tenho até são muitas pra mim.. Minha fortuna são sonhos que semeio em minha voz, é o profundo esperancear de poder tudo mudar pra os que vierem após.
Meu mundo, meados de junho, chega-se ao tempo que espero. Tempo de agradar a alma, de reforçar sentimentos, de renovar esperanças e entender mais a vida. Tempo de ser mais fraterno e da paz ser oriundo, divagando em meu mundo pelos meados do inverno.