Cabelos de Milharal
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Caramba, mas que tormento que está este temporal, me viro, rolo na cama, só de pensar fico mal. As bruxas e as vassouras, cortando com suas tesouras, os cabelos mais bonitos que nascem no milharal.
De sabugo fiz o corpo, de retalhos fiz as roupas, até touca e avental. De uma caixinha a cama, forradinha de jornal. Não pode ficar careca, os cabelos da boneca, vem de lá do milharal.
E a noite se faz comprida, cochilo e logo me esperto, de certo o dia tá perto, que mal posso esperar. Amanhã vou acordar, e renovar a esperança, vou embalar a criança, e seus cabelos trançar.
E o sol que nasce me esperta, volta o mundo iluminar, de novo, volto a brincar com minhas bonecas de pano.
Que os ventos fortes que sopram neste mundo de grandeza, nunca nos tire a beleza e a vontade de brincar. Que nunca falte um lar, e uma criança a ninar uma boneca de pano.
Que o mundo digital não nos tome por total, a inocência das crianças. Que esses sonhos de infância não morram num vendaval. Que se conserve os retratos das bonecas de avental e nunca arranquem os cabelos que nascem no milharal.