Bolicho
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Aprumando na coxilha como um bagual que se empina, te rodeava sina-sina, tuna, abrojo e paraíso... A porta, um palanque liso pra animalada teatina.
No oitão, a cancha de tava onde o guasca aficionado pela, de canto chorado, a guaiaca do parceiro, num tironaço matreiro, até o deixar despilchado...
Nas prateleiras, de tudo: abobra, milho, aguardente, xarope, perfume, pente, adagas, balas, tamancos, lenços, vermelhos e brancos, riscado, brim e semente.
Quanto ali não se encontrasse para o rancho do índio bruto, teria substituto por mais difícil que fosse: do pano ao remédio e ao doce, que o bolicheiro era astuto!
Em ti confraternizava a peonada, sem mais fogo, com que se chegasse ao fogo. Tinha, assim, o forasteiro, a qualquer dia, parceiro para charla, canha e jogo.
Nas carpetas da bodega se oitavavam bombachudos, cueras maulas, melenudos, portando adaga e trabuco, a prosear, em meio ao truco, seus causos mais peleagudos,
Freqüentemente era o tira-teima, gaúcho e bárbaro esporte com que se toureava a morte... Muita vez corria talho por aposta de baralho, diante do excesso de sorte!
Se alguém se desconhecia, peleava a maria-clara se botando no baiquara, batendo à boca, num guincho, e ali no mais o bochincho, com rispidez, se declara.
Aos domingos sem carreiras, por chuva ou falta de páreo, negreava de voluntário para trovar todo o dia, enquanto o violão zunia num cantochão solitário.
Centro social ca Campanha da vida crioula machaça, onde o palheiro e a cachaça serviam de chamarisco, tu foste, bolicho, o aprisco da nossa bárbara raça!