Bochincho I
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Cinocas de todo o porte E guascas do queixo roxo. Corria o bochincho frouxo Naquela noite de Julho E a não ser pelo barulho Da velha gaita manheira, Só se ouvia a tinideira De esporas no pedregulho.
Meu pingo, mascava o freio, Num palanque da ramada. Pateando, de cola atada, Pois sempre fui prevenido, Em pagos desconhecidos Não me descuido, por nada, Voltava de uma tropeada E ali me achava entretido.
Eu tinha botado o laço Numa mestiça zebua. Lhes digo, flor de chirua, Delgade e de anca rodonda. O encontro, que nem onda, A corcovear caprichosa. E o olhar de lua mimosa Clareando noites de ronda.
Marca vai e marca vem E a cordeona resmungava, Mas tinha um índio que olhava Demais, pra minha chinoca. Lagarto que sai da toca Quer chumbo, diz o ditado, E eu me paro embodocado Quando um olhar me provoca.
Nisso, o cujo aproximou-se, Numa imponência de taita. Mandou que parasse a gaita, Batendo o mango na bota E disse ao gaiteiro, enlota, Um vaneirão bem sem dono Que eu quero campear o sono Nos braços dessa Mamota.
Não vou dançar, disse a china, É que já estou acompanhada. O índio, trocou pisada, Falando grosso e altivo. Pra mim não basta o motivo, Pois troteio de légua em légua E nunca topei com égua Que me negasse o estribo.
Já no primeiro pranchaço, Que dei, com bainha e tudo, Fui gritando ao melenudo. A china não dança, eu danço. O índio não era manso, Mas caiu meio de culo E já no segundo pulo Fedeu a tripa de ganso.
Os outros me atropelaram E formou-se o intreveiro. Meti a pata no candieiro Naquele Deus-nos-acuda E era só china crinuda, Gritando, de boca torta, Que vinha, direito à porta, E se mandava na muda
Amigos, eu nem lhes conto, Aquilo foi uma xoada. Planchaço, tiro, facada, E gritos de te arrenego Cueradas de não me entrego Te arrebento, te esconjuro, Peliando ali no escuro O mesmo que galo cego.
Me cortaram a bombacha, E me esfiaparam o pala, Mas fiquei dono da sala E antes de clarear o dia, Vi o último que fujia, Num zaino troncho, de em pelo, Mas deixaram pra sinuelo A chinoca que eu queria.
Mas pra que seguir contando O final daquele rolo, Se qualquer índio crioulo Já devereda imagima? Alcei na garupa, a china, Que me olhava de soslairo E dei de rédias ao baio Em direção da Argentina.