Boca de Campanha
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Tal uma flor colorada contra uma trança comprida, uma lâmpada vermelha mal clareia a porta estreita da entrada do chinaredo!
Vão entrando despacito... (uns da cidade ou campeiros) Cada qual com seus anseios, cada qual com seus venenos, calaveras, maulas, buenos e outros de mesma classe empeçam logo o repasse das chinas pelo salão.
Aquela ali bem sentada pitando o quinto palheiro, é dama deste entreveiro pelo jeito a mais de ano. Decerto embaixo dos panos carrega mil calorias, pela falsa alegria que deixa escapar do rosto.
Chinita linda... a morena do lenço atado na testa. Parece nova na vesta. (representa uns dezessete) È a histária que se repete. É mais uma das novinhas que aposta nesta linha pra sustentar seus caprichos!
A gorducha carrancuda, que é assim talvez por gosto. quanto magro fez seu posto no macio desta chirua! Em quantas noites de lua um ou outro sem floreio, tirou o pé do atoleiro na fartura desta prenda.
A ruana compridona de coque, bem penteada que não se inquieta por nada, dançando ou nalgum abraço... ...ainda sente o puaço do moço sem compromisso que se alçou num sumiço deixando um filho pequeno!
A outra mais petiçita de saia curta rodada, perna grossa, bem torneada, e um recavem de potranca. Leva a marca na anca de um tal Juca Ginete, apadrinhado, por mandalete, de um distinto deputado.
As duas sorrindo sempre... -Que negrinha afeiçoadas! Dançando de cola atada de vestidinho rendado. São assim porque é o legado de quem mundeia solito: _Não adianta choro ou grito depois que se perde um pai!
Quieta a loira sardenta espia por um olhar, e é triste até no ander pois tem a alma em pedaços. Segue sentindo os planchaços, do amante que sem perdão por desconfiar de traição lhe espancou por covardia!
E quantos outros motivos, quantas outras que virão, doídas do coração tendo o corpo por riqueza, com mais ou menos beleza, mas num destino comum, de esperar sempre mais um, com mais plata e presteza.
Evidente que algumas até gostam da brincadeira, sentem prazer na besteira de um retoco carnal Mas entendo é natural, um predicado da profissão, no fundo dizendo não, vão disfarçando a verdade!
...as vezes eu não entendo, mesmo por antigo o ofício, vendo o sacrifício das gurias destas bocas. Me dá uma tristeza louca: Que vida fácil, que nada! Viver com a alma emprestada, não há dinheiro que pague!