Alma em Verso
Poesia

As Sete Lágrimas de um Homem Só

Bianca Bergmann

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Eu sei que homem não chora, Mas hoje eu preciso chorar. Deixar chover meus sentimentos, Para descarregar o peso Das nuvens negras que pairaram No céu da minha solidão.

Hoje eu preciso chorar... Uma lágrima por cada perda... Uma lágrima por cada sonho, Que se desfez pelas curvas Dessa estrada sem fim.

A primeira lágrima Abre caminho no rosto, Pra relembrar os carinhos Há tanto tempo perdidos; Mas que deixaram saudades Num velho coração sofrido.

A segunda lágrima, Cai pela mera lembrança Daquela que um dia partiu. Sem me dar tempo pra falar de sonhos... Sem me dar tempo pra falar de amores... Mas deixando dores por mentir que amava.

A terceira lágrima cai Pela saudade da estância, Que nos tempos de criança Foi meu mundo e paraíso. Mas que um dia foi preciso Deixar de lado e tentar A sorte em outro lugar... Cambiar quimeras de paraíso pobre, Por esperanças de uma vida melhor.

A quarta lágrima surge Por cada quarto de lua Que meus olhos não beberam. Talvez porque se esqueceram Que na cidade, somos escravos de fato. Os relógios nos apressam. E na pressa nem se nota, Que por entre as tantas voltas A lua muda o formato.

A quinta lágrima... Bom... Essa rolou tão ligeiro Que nem senti o calor. Mas na boca, ficou um gosto amargo. Gosto da falta de afago... Gosto da falta de amor.

A penúltima lágrima vem Pelos filhos que não vieram. O que me condena a viver sozinho. A prolongar mates de espera Pelo aprendiz que nunca chega. Pelo braço forte que jamais me abraça. E pela palavra “PAI”... Que jamais ouvi.

Hora da última lágrima... Ela parou pelos olhos E ainda não decidi por quem ela vai rolar.

Pensei chorar pelas dores... Pelos sonhos e a saudade... A tristeza e a ansiedade, Mas vi que não vale a pena.

Vou é chorar por mim mesmo! Por minha alma sofrida. Que ainda hoje é perdida, Jogada a esmo pelos cafundós.

Essas lágrimas são minhas! Já que sou feito de dores; E que a minha solidão Me fere o peito sem dó...

Eu sei que homem não chora, Mas dedico a mim o meu pranto! Pois sou eu a última gota, Das sete lágrimas de um homem só!