Baile de Rancho
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O rancho já tava cheio, Quando cheguei no fandango. Arqueava a gaita num tango Naquela noite de maio. Boleei a perna do baio, Ouvindo longe a guitarra. Mais alegre que cigarra Fui chegando p’ra fusarca Como gaudério monarca Disposto a cair na farra.
Vi de pronto que não era Baile que dança família. Não formava uma tropilha Com cinco do mesmo pelo. Não se tirava um sinuelo P’ra acolherar um matreiro. Era tão grande o intreveiro Formado naquela noite Parecia a velha boite Que conheci no povoeiro.
Foi me chegando pra porta Do biungo que tava em festa, Tapeei o chapéu na testa, Perguntei- Quanto se paga? -Gritaram, não tem mais vaga, Ta cheio o rancho, paisano! Me fiz de “chancho” cabano Que não respeita alambrado. Sempre fui desaforado Arisco e meio aragano.
Entrei levando por diate: Porteiro, porta e tapume, Sempre tive por costume Não dar volta de porteira. E não é qualquer porqueira Que me faz perder a fala. Fui parar dentro da sala Grudado numa pinguancha E saí abrindo cancha Co’as franjas do velho pala.
Já vi cochicho das velhas, Chamando as filhas pro quarto. E velhos que nem lagarto Carrancudo, retesado, Me bombiando atravessado, Como quem diz: que bonito! Mas nunca corri de grito, Cara feia não me assusta. P’ra mim o que menos custa É dar rodeio, solito.
Sendo preciso, defendo, A mais antiga das leis. Saí batendo com seis Defendendo a passarinha, Na cruzada p’ra cozinha, Já vi sangue e gente morta. -Um chiru quase me corta, Passou raspando na güela. Ameacei ir na janela E o “gajo” clareou a porta.
No grito de “bamo embora” Saí de luz destapada. Aquilo foi uma zuada. Parecia mamangava. -Quanto mais me distanciava Mais perto me parecia. Já tava clareando o dia Quando saí na faxina. Botei na garupa a china E me mandei “a lá cria”...