As Estrelas que Eu Deixei no Pampa
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Parti um dia como tantos partem com a mala cheia de ilusões faceiras, alcei a perna e cruzei a porteira do simples ninho em que fui criado... Sai sozinho ao sabor do vento, qual um passarinho quando ganha asas, deixei pra trás, com o peito em brasas, o aconchego de um rancho barreado.
Levei comigo sonhos desenhados na lousa virgem de minha juventude, e um coração pulsando inquietudes batendo forte bem na flor da idade... Com a pretensão de desbravar o mundo e a curiosidade de dobrar esquinas, nem vi o meu pago ficar na neblina do sal dos olhos da minha saudade.
Carreguei junto pra o novo destino os meus “recuerdos” felizes da infância, e pelo caminho fui toreando as ânsias de um coração impaciente na espera... Firmei o olhar no estranho horizonte buscando o brilho de um lindo luzeiro, e cravei esporas num sonho povoeiro pra correr atrás de falsas quimeras.
Aos simbronaços de uma vida chucra fui reculutando alegrias e penas, e no lombo arisco de sonhos ventenas segui toreando a minha alma aflita... E me embrenhei em matos de concreto ao tranco teso de um andar sozinho, pra desbravar os meus próprios caminhos seguindo os rumos que o coração dita.
E quando a vida me cobrava o prumo, eu voltava ao pago pra acertar o rumo junto as estrelas que eu deixei no pampa.
As coisas boas que aprendi com os pais me deram armas pra abrir novas trilhas e passar ao largo das más armadilhas que o vil luzeiro arma pra um vivente... Cruzando estradas me fiz um teatino só tendo a saudade pra pedir guarida, e tracei as metas de uma nova vida com as parcas certezas que tinha na mente.
No cerne rijo da minha juventude firmei garrão para seguir em frente, na simples busca de um viver contente para fazer meu coração feliz... Nos frios poleiros de concreto e pedra fui fazer pouso e erguer os meus ninhos, e encantado por falsos carinhos espalhei frutos e não finquei raiz.
E quando a tristeza fazia eu chorar, eu recarregava o brilho do olhar junto as estrelas eu que deixei no pampa.
E hoje revendo tudo o que já andei descubro que é hora de repensar a vida, pois é preciso curar as feridas e repovoar o meu peito tapera... Quero lavar a alma numa sanga e me servir de um mate bem cevado, pois o meu pingo já anda cansado de correr atrás de falsas quimeras.
Um dia desses vou alçar a perna e botar na estampa o meu melhor sorriso, juro que faço o que for preciso para chegar feliz no arremate... Num tranco largo de cruzar fronteiras vou seguir o rastro de um olhar amigo, no chão do pago vou encontrar comigo e regar minhas raízes numa roda de mate!
Quero alumbrar este negror do peito na luz dos olhos de minha simples gente, e pegando a estrada pra seguir em frente deixar pra trás o que já não me serve... Vou sentar a sombra de um velho angico e esquecer as penas numa prosa calma, na paz de um galpão vou aquietar a alma e acomodar meu coração aflito!
Pois a vida está me cobrando o prumo e no chão do pago vou acertar o rumo, junto as estrelas que eu deixei no pampa!!!