Quando um Gaúcho Canta o Campo
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Quando um gaúcho canta o campo Num acalanto nina sua própria dor Que indormida sonha acordes de guitarra E pede calma ao coração corcoveador Quando um gaúcho canta o campo Canta o encanto que é luz pra o cantador Etéreo lume razão de ser do vagalume Almas antigas “alumiando” o corredor...
Quando um gaúcho canta o campo Derrama a vida entre as cordas do violão E a dura lida que demarcou cicatrizes Ganha matizes se vestindo de amplidão Quando um gaúcho canta o campo Solta seu grito na garganta dos tajãs (Tarrãns) Cantam cardeais, sabiás e cotovias E a utopia vem acordar as manhãs
Quando um gaúcho canta o campo Mirando a estrada no rastro de quem se foi Tem sal nos olhos temperando sulcos fundos De quem vê o mundo cruzando a passo de boi Quando um gaúcho canta o campo Sua garganta é cancela escancarada É mata-burro desafiando a realidade Onde a cidade plantou porteiras fechadas
Quando um gaúcho canta o campo Sou eu pedindo pra viver um outro tanto É minha alma que cansada pede colo Sou eu que vago na garupa do seu canto Quando um gaúcho canta o campo Espalha cheiros de arnica e alecrim Mal sabe ele que a sua voz afinada Canta saudades que vivem dentro de mim...