No fundo falso do espelho
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Ha muito tempo que ando Meio encilhado às avessas Pois as antigas promessas São dividas precatórias Que pediram moratória No decorrer da existência Quando o amor abriu falência Num golpe muito pesado E fez de mim um deserdado Nestes confins de querência...
Mesmo o postal do galpão Bordado de picumã Banhado ao sol da manhã Já não desperta os instintos Talvez já sinta o que sinto Nos corredores da mente E até ele se ressente E soluça ensimesmado Pelos sonhos naufragados No rio fundo do presente...
Alguém disse que as promessas Geram dívidas não pagas São como golpes de adagas Que nos ferem sem matar Vão minando devagar Nossos troncos e raízes Vão nos tornando infelizes Vão mudando a trajetória Reescrevendo a nossa história Com a tinta das cicatrizes!!!
Não lembro qual a cacimba Não lembro qual a gamela Que ao mirar-me dentro dela Senti meu rosto enrugado E vi o semblante judiado Na minha face encardida E atrás, a alma ferida Jazia desamparada Como quincha esburacada Pelos pontaços da vida...
E estes riscos, estes cortes Não há alma que compreenda Pois esta estranha legenda Gravada ao longo dos anos nos enfraquece o tutano e judia nossos artelhos E o tempo, parceiro velho E um artista abstrato Moldando nosso retrato No fundo falso do espelho!