Ronda
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Nasci na copa de um cerro Num velho rancho crioulo De pau-a-pique e tijolo Na beira d’um corredor Me batizaram, cantor, Na catedral do relento P’ra cantar dom sentimento A terra do campeador.
Apartei tropas de sonho Vendi na casa dos nobres, Rezei na mesa dos pobres Da velha pampa galharda A onde o chiru, de farda, Defendendo os Farroupilhas, Esparramou nas coxilhas Ideais que o povo guarda.
Num petiço de taquara, Parei rodeio nas trevas, No cerro das arumbevas Bebi água de vertente. Com papai - meu confidente, Aprendi guardar segredo E medo de não ter medo Que conservo no presente.
Naquele tempo a palavra Valia por documento E no mesmo acampamento Mateavam pobres e ricos, Doutores, pobres e milicos, Na mais perfeita harmonia, Enquanto a vida sorria Na copada dos angicos.
A coragem e o bom senso Sentavam no mesmo trono Justiça não tinha dono! Churrasco ninguém cobrava Quando a lua bocejava, De sábado para domingo, Era só dar rédeas ao pingo Que diversão não faltava.
Porém os tempos mudaram O rumo da minha prece! Mas o verso permanece Sempre matreiro e bravio. Cantando no rancherio Pelo guitarreiro e a china, Como fonte cristalina Que o tempo não poluiu!
Rondando meu sentimento Andei d’um lado pro outro, Quebrando queixo de potro Tirando balda de china. Tudo que Deus determina, Ninguém tira nem afasta Eu sou gaúcho- e me basta P’ra ser maior que doutrina!