Alma em Verso
Poesia

Pampa Largo

Arabi Rodrigues

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Amigo, peço licença Pra cantar minha querência! Jardim florido e existência No campo da humanidade. Beleza que o sonho invade Além do mundo consciente Fertilizando a semente Das gerações ancestrais, Transmitidas pelos pais Na juventude da gente.

Amidos, vejam o pampa, Dos irmãos Lopes de Souza Debruçados sobre a lousa, Eternamente rezando, Por aqueles que, peleando, Replantaram nas coxilhas As legendas andarilhas De Colombo e de Cabral, Modificando, afinal, O marco de Tordesilhas.

Amigos, ouçam o pampa, Na voz que canta e que joga E que põe pátrias a soga, Na penumbra das canhadas, Enforcando madrugadas No topete das coivaras! Guaranis e Tapejaras Acampados no relento Revivem o chamamento “KOY-OGO-KORE-KO-YARA”

Amigos, cantem o pampa, Do fandango, da ‘chamarra’, Da cordeona, da guitarra, Bochinchos e pulperia, Das invernadas vazias Pastoreadas pelo medo, Sabe Deus quanto segredo Fica guardadono fundo, Neste pedaço de mundo Estaquado no varzedo.

Amigos, vejo tambores, Que lá no fundo retumbam, Junto aqueles que comungam, No para-peito da fome Depois que tudo se some À margem da sociedade Ante a mão da divindade, O fraco perde a ternura, Não há quem pinte a figura Dos filhos da liberdade.

Amigos, rezem comigo, Antes que tudo desande! Oh! Patrão da Estância Grande, Tende piedade, clemência, Dos filhos desta querência Desprotegidos da sorte! Tende piedade do forte Que também sofre e padece, Escutai a nossa prece Nos corredores da morte. Essa terra tem dono