Alma em Verso
Poesia

Medo Velho

Apparício Silva Rillo

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Houve um crime nesta estância. O moço perdeu um freio, foi acender uma vela pro Negro do Pastoreio.

Apagou-se a luz da vela no assopro da ventania. Faca no peito do moço, vela branca na mão fria.

Diz que o moço, em noite suja, quando se adelgaça a lua, vem de novo prender vela na coxilha nua, nua.

Diz também que não é vela o lume que lume lá. Luz de vela não se muda, quem se muda é boitatá.

Noite grande, vento morto, foice delgada de lua. Boitatá ou luz de vela na coxilha nua, nua.

Luz de vela em noite grande, luz de vela ou boitatá? Se é vela pro Pastoreio, se não é - quem saberá?

Medo velho faz de moço, se amoita no "que será". Luz a luz na noite grande. - Será vela ou boitatá?