Intermezzo de Rosa
Rosa de carnes maduras na mais lindice de si. Sonho e cama inalcançados pelo bolso de trocados de campeiros e guris.
Rosa de riso aferido por quilates de anéis, vagalumeando o apelido "Rosa quinhentos mil réis". A de poucos escolhidos - doutores e bacharéis de nome e plata fornidos e na cancha dos sentidos potranca de coronéis.
Seu beijo por um champanhe, por um perfume francês. Para os lençóis o eleito, um por noite, cada vez. Champanhe, perfume e macho, trindade do mesmo cacho, falsificados, os três.
Cruzam borrachos na noite com seus cadeados de dedos a encarceirar-lhe segredos de antepassadas sabenças: - "Esta inxerida o que pensa? Quem te viu e quem te vê! Sedas, renda e purpurina, mas ainda a mesma china nas entranhas de você..."
A inveja rói-lhe a estampa e o olho grosso a corrói. Alerta, Rosa se benze contra a lança do despeito que sente roçar-lhe o peito e sem que a fira, lhe dói.
Bate o relógio da sala. São horas do coronel! Seu dia, e Rosa se aflita: ai que com outro lhe apanhe! Quebra-luz, taça e champanhe, alma de angústia e fel.