Guri-Canto
Publicado em
Como me agrada, Guri, ver-te rasgar a cordeona - uma raiz redomona que havia dentro de ti. (E dizer que até bem pouco não te encontravas, Guri.)
Como me agrada, Piá, ver-te trocar as japonas pelo pano, onde te entonas, de uma lã de bichará. (E dizer que até bem pouco eras inverno, Piá.)
Como me agrada, Guri, ver como guapo te achas vestindo as velhas bombachas e esquecendo a calça "Lee" (E dizer que até bem pouco não as usavas, Guri.)
Como me agrada, Piá, numa noite que se alonga, ver-te cantando milongas que a pampa trouxe pra cá. (E dizer que até bem pouco eras do "rock", Piá.)
Como me agrada que esqueças as bombas da desunião pela bomba que se aqueça na cuia do chimarrão. (Porque há quem faça bombas quais falsas pombas da Paz.)
Nunca te esqueças, Piá, por onde quer que te mandes: em ti o sol do Rio Grande no amanhã se acenderá - herança que recebeste, legado que levarás...