Boi Barroso
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Meu boi barroso, lendário, haragano e teatino, te criaste sem destino vagando pelo rincão; usando mil artimanhas cruzaste nossas campanhas sem ninguém botar-te a mão!
Jamais a armada de um laço conseguiu cingir-te as guampas, nem existiu nestes pampas onde ecoava o teu berro, gaúcho de tanta manha que te queimasse a picanha com a marca rubra de um ferro.
Tu zombaste, enquanto vivo, de quando quebra gabola que te saísse na cola pra te quebrar o entono. Segundo eu sei de memória jamais ninguém teve a glória de intitular-se teu dono!
Certo dia um tal Blau Nunes - Índio velho mui vaqueano - te seguiu por mais de ano cruzando campo e perau. Blau Nunes, nessa cruzada, com a salamanca encantada topou-se, lá no Jarau.
Pois o Blau, que era o mais taura gaúcho destas campanhas, enredou-se em tuas manhas, no teu rastro se perdeu. Não pôde trazer-te o couro, só trouxe um dobrão de ouro que a Mãe do Cerro lhe deu.
Meu boi barroso haragano! És o símbolo da raça que curtida na fumaça de muitas revoluções, jamais em sua existência permitiu que a prepotência vicejasse em seus rincões.
Na altanaria do guasca adivinho a tua imagem, teu desentono selvagem neste povo sem maneias que há centenares de anos reveza o frio dos minuanos pelo calos das peleias!
Teu gênio altivo retrata o índio venta-rasgada, que não tem guampa furada nem se achica pra ninguém; que briga, sem ser maleva, pra honrar o nome que leva e os fios de barba que tem!
Sempre que a lua embarriga teu fantasma a gente avista, passando o pago em revista, fiscalizando o rincão; porque tu és, na verdade, o gênio da liberdade resguardando a tradição!