Ao Indio
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Tapete verde-esmeralda Do campo bordado em flor, Coxilhas sem corredor Praias com beijos do mar! e depois de contemplar A luxuriante beleza, Quis o Rei da natureza Que alguém lhe viesse habitar!
Nesse eldorado pampeano Vagueava a raça nativa. Rude estirpe primitiva De origem desconhecida. E entre cruzadas renhidas Tendo por armas fascínios, Delimitavam domínios Na terra desguarnecida!
Eram tupis-guaranis O troco da descendência E sobre a vasta querência, Foram espalhando famílias; Primeira chama caudilha Se levantava no pampa, Emoldurando na estampa O campeador das coxilhas.
A grande tribo dos Tapes Do Jacui ao Camaquã - Carijós e Arachãs, Costeando a grande lagoa - Minuanos e Guenoas, Com Charruas na campanha, Riscavam o solo em façanhas Livres de jugo ou coroa!!
Quando Dias de Solis Veio de mando da Espanha, Alvorotou-se a campanha Num bate-bate brutal; E neste encontro fatal Campeou a lança charrua, Deixando na terra nua O primeiro intruso real.
Cipião Góis também cá veio Nas barrancas do Uruguai... Deixando no Paraguai... Oito cabeças de gado. E o campo sem alambrados Do Rio Grande inda criança, Foi conhecendo a pujança Do povoamento no prado!!
Já ia longe a cobiça De espanhóis e lusitanos; Cada qual mais aragano Querendo tirar partido! e o índio sendo ofendido Derramava o sangue à vista Como preço da conquista Do solo Pátrio querido! E os bandos então surgiam Dando caça ao gado xucro; Vendiam o couro, e do lucro, Cambiavam com os invasores, Faeneros e changadores Nas ribanças da fronteira, Depois mais tarde as Bandeiras Com os chamados “Preadores”.
Em cada palmo de chão Se entropilhava a violência! Las armas como conciencia No tribunal das refregas E o veredito dos “pegas” Virava em carnificina... Ao som de casco e clavina No pisotear das macegas!
Foi então que neste palco Veio o Padre Missionário Tendo por arma o rosário E os ditos do catecismo; O índio foi pro batismo Conhecendo outra doutrina, Era a palavra divina Nos moldes do Cristianismo.
Nascia então as Missões Estóico marco de glória Épico tronco da história Da evolução nativista; Glossário de uma conquista Da batina missioneira, Impondo à raça guerreira Um sentimento altruísta.
Mas quem diria que o índio Liberto e catequizado, Depois de ter derramado O suor nas reduções, Fosse alvo de inscursões Tão cruel e degradante Do arbitrário bandeirante Devastador das Missões!!
Veio Raposo Tavares Minar a paz e a harmonia Onde bem alto se erguia A cruz pro céu azulado! Veio ele o desalmado Indo de encontro à razão, De quem se diz ser cristão E há muito civilizado!
E o que resta a Valdelírios E a Gomes Freire de Andrade, Se a história conta a verdade Da chacina em Caibaté, E em Santa Tecla - Sepé Maior que um chefe espartano, Encharca o solo pampeano Com o sangue mártir da fé! Pois pode a história negar-ter Até mesmo um monumento! mas o holocausto sangrento Clamou ao céu liberdade Pois mostraste com vaidade, Com valor e com entono, Que o Rio Grande tinha dono Da mais pura qualidade!
Pra mim tu foste maior Do que o romano...o grego... Lutaste sem aconchego, Sem manhas de estrategista; Lutaste contra a conquista Do sol que te viu nascer Do chão que te viu crescer Com céu e campo por vista!
Me orgulho de ter nascido No mesmo chão missioneiro Berço e cova de guerreiros De inigualável bravura! A sombra de tua figura Me bate em riba do peito, Como a exibir mais direito Que te negou a escultura!
A morte - pra ti nativo Não foi fim mas o começo O teu sangue foi o preço Do mais sagrado ideal; A nossa raça o porta Legado por tua glória, Que ao morrer - gritou pra história: Eu sou o Gaúcho - Imortal!!!