Alma em Verso
Poesia

Senhora

Antônio Augusto Ferreira

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Como me assusta, senhora, tanta demora no pousar-me os olhos verdes, prisão de quatro paredes, cadeia de fina rede que me prende, como agora. Olhar tão calmo, senhora, cala fundo, desagrava, inunda, não sendo água, não sendo fogo, devora. Prisioneiro de repente eu, que pensava ir embora. Meu corpo sofre, doente, mas meus olhos ficam quentes tocando nos seus, senhora. Meus silêncios são de rogo, meus desejos, malviventes. Seus olhos seguem no jogo de queimar, não sendo fogo, e inundar, sem ser torrente. Não se surpreenda, senhora, de ver-me assim tão carente, tanta insônia, de repente, nos olhos de quem não chora. Sonharei seus olhos verdes cada dia, cada hora, que a solidão apavora quem carrega tanta sede.