Alma em Verso
Poesia

Nas ante-salas da guerra

Antônio Augusto Ferreira

Publicado em

(Comemorativo aos 150 anos da Revolução Farroupilha)

Faço um retorno no tempo de cento e cinqüenta anos e encontro todo o Rio Grande nas ante-salas da guerra. Essa pobre gente boa já não agüenta a coroa que afunda as garras na terra. Nada mais sacia a Corte que não abranda a cobiça, são os dízimos e os quintos, são os impostos do charque. Quando a carga não se agüenta, em qualquer parte arrebentam rebeldias de combate. Corre pólvora no sangue, nos ventos parte o convite para morrer ou matar. Há uma febre coletiva e o pago tem alma viva e pontarias no olhar. O grito é como um rastilho, a força se faz dos filhos, dos filhos, o general. Cada fuzil está pronto para cuspir marimbondos que levam ferrão mortal. Na alma ferve a coragem, anda no ar um presságio de arma branca e ferro frio que agora ninguém ataca, e os punhais são jararacas, levam veneno no fio. ............................ Que triste coincidência, voltar ao dia de hoje e achar em todo o Rio Grande as mesmas ânsias de ontem embalando um sonho lindo de um Estado federado mais senhor do seu destino.