Andorinha2
Publicado em
Preciso descobrir qual o teu jeito, Eu tenho de saber onde é que andas A cada instante que te vejo Já que tanto te mudas sem aviso.
De repente estás aqui, olhos acesos, Para viver o amor como quem morre, A vida transfugando pela boca, E logo, logo, voando por ai Neste sai e retorna a cada dia Sempre diferente e sempre a mesma Para a surpresa do amor em sobressalto.
Como não sofrer da insegurança De nunca ter certeza de tua alma Misturada na minha, confundida? Essa andorinha não vive em cativeiro E aprisionada não canta.
Mas e eu, pobre de mim, como é que fico Instável desse amor sem garantias Que tanto me emociona E tanto me amedronta?
Assim, toma cuidado Ao me falares de modo diferente, Com pouco ardor e menos gravidade, Ao me abraçares de alma destraida. Dá-me um aviso antes, Um sinal qualquer que me previna, Que eu sou sensitivo pra paixão.
No fundo, eu adivinho o que se passa Mas é muito difícil contornar Essas distâncias que abres sem notar. É que tu carregas muito mundo, Teu universo é tão imenso Que nem sei como o suportas E há momentos em que estás tão dentro dele Que não me vês E eu sempre ando tão perto.
E aí que eu sofro essas angústias, A crise de vazio que me acomete E um medo, que já imotivado, Mas que teima em vir atordoar-me E povoar de fantasmas minha insônia.
A mim, Não resta mais do que encolher-me À espera do milagre Das vezes em que chegas como um vento E me queimas a boca com teu fogo, E te enroscas em mim Sem perguntar se gosto tanto e tanto. Daí me despes E me fazes amor Aos golpes de paixão.
Depois, a tua boca desbotada Ronrona umas palavras inaudíveis E então te aninhas num colchão de nuvens E partes por um sonho de alamedas Quase sorrindo.
Aí é que eu libero essas pandorgas Que fazem o meu céu mais colorido E é aí que invento de viver Mais uma vez.