Alma em Verso
Poesia

Alma de poço

Antônio Augusto Ferreira

Publicado em

Madrugada mais lobuna, mateio desprevenido. Tenho andado mal dormido com paixões demais pra um. Os meus olhos tresnoitados se voltam mesmo pra dentro; a vida põe sal na boca e o mate não mata a sede. Querência fica distante mesmo andando dentro dela. Que me importa o sol na cara se a alma não amanhece. Não quero sonhar de novo, renascer não vale a pena; alegria pouco importa quando a vida anda pequena. Solidão bate no rancho, já me sabe mais covarde; vou cultivando um silêncio que vai florescer na tarde. Ai, ai, ai de mim corpo de moço jeito de rio alma de poço peito vazio.