Estrela da Paz
E amanhece outra vez... A cada dia a vida vai ficando mais curta. Será que todos percebem? A cada gesto... em cada olhar... Só sentimos o medo de viver.
Se eu pudesse galopar no tempo... Pra ver a avó bordando... Sentir a essência das flores... Tomar banhos de cachoeira... Brincar de roda e correr nos campos... Sentir o cheiro da chuva quando molha a terra. E antes de dormir fazer oração de chamar os anjos, Então, contar estrelas para adormecer.
Ah! Se como um feitiço do tempo A saudade me levasse de volta a querência... Eu seguiria o sol, inventaria caminhos, Seria livre como o vôo de um pássaro... Amante do vento! Livre para ver as serras, Os parreirais e as manadas que campo a fora Se confundem no horizonte...
Mas, os segundos palpitam as horas de vida E é impossível retroceder o relógio do tempo...
Agora existem seres que, não crêem na vida E na liberdade, que se apegam em dinheiro, Coisas materiais. São egoístas! E acabam vendendo a própria vida... O mundo vem sendo arrastado pela ambição e pela ganância.
Hoje, o passado foi levado pelo esquecimento... As pessoas parecem ter se fechado para a felicidade e, Quando ela parece surgir, o momento foge...
Se eu fosse senhora do tempo, Navegaria através de séculos e traria a alegria lá deixada... Invadiria o limite máximo de cada ser e, Plantaria no coração de cada um uma flor... Onde a plantação se transformaria numa invernada de esperança...
Nos olhos teriam a brisa do amanhecer, Os romances marcariam épocas, As amizades iguais ao tempo, eternas... O amor faria todos plantarem a paz e colherem felicidade...
Mas me assusta, ao ver que não plantamos bondade. E amanhã, o que nossos filhos irão colher? Não!...Não colherão afeto, irão colher raiva, Viverão em guerra, no sofrimento, no medo...
Só as lembranças doces que me seguem Dão esperança de um mundo melhor. Quem espera sempre alcança...
Olho o dia ser arrastado pela noite, Sobre mim, um céu dominado de estrelas, Em uma delas mora a paz... Mas qual? Qual a estrela que fará o mundo feliz novamente? Não sei!... De tão longe, todas são iguais...
E noite após noite eu viajei ao luar A procura da estrela de paz que, Poderia libertar o coração dos homens... Que faria nascer flores no chão onde Foi manchado pelo sangue da guerra... E faria transbordar os poucos rios que Ainda nascem da fonte do amor...
Um dia, de tanto buscar no céu A minha estrela, acabei adormecendo Tive a sensação de ser um pássaro... De atravessar as nuvens... De ir ao mais profundo do céu... E quando me dei conta, estava diante da estrela!
Então ouvi uma voz que vinha De dentro de meu coração, E lá gravou uma mensagem que deveria Ser transmitida a todos aqueles Que tinham se esquecido de amar...
Essa mensagem, falava que deveríamos Renascer e encontrar o sentido da vida... Na luz da manhã...Nas flores da primavera... No vento frio do inverno...Na ternura das cores... Para que não haja mais lágrimas, apenas... A vontade e a certeza de ser livre!