Amanhecer
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Aqui estou eu vendo nascer o sol em estilhaços de luz, de flor e fogo. Aqui estou eu, vitrificado, fora de mim, do meu alcance, melhor que antes, na transparência de quem parou pra ver nascer o sol. A noite era tapada, alta e sem sons. Pelo vazio, meus olhos procuravam sem achar. De repente pareceu que se abrandava o breu. Ver, não via, mas tinha a sensação que a noite estava por um fio. Não demorei pra compreender que para o lado do nascente a noite desbotava. A partir daí a sucessão de tintas era lenta, lenta, mal e mal girando. Quando me dou conta a roda dispara, mudando, mudando. Céu de tintas coloridas, zaino, rosilho, rosado. A mágica madrugada prepara a finta das cores para um nascente alazão. As barras da manhã pegaram fogo no festival de luzes e vidrilhos. As emoções descontrolam-se no jogo dos matizes e rebrilhos. É que lá, na linha do horizonte, o campo incendeia e, em meio ao fogo, mete a cabeça um redondo sol baio-ruano, ergue-se um pouco mais sobre si mesmo e, olhando o campo conhecido, solta um relincho de luz que relampeja no chapéu dos cerros até perder-se no outro lado do mundo. AVE SOL! lave o céu. Gracias meu senhor, meu pai, meu Deus.