Alento
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O pensamento criou asas... e sobre as imensas casas... fez o ponto de partida.
Quando o campo fica à distância... o orvalho brota nos olhos, ... o céu fica turvo, as nuvens brancas; cinzentas... e nesse emaranhado de cores e ânsias... o cenário da infância... vem estampar em m’ia frente.
Parece... foi onteontem... que tive chupeta... e boneca... e trança nos cabelos. parece que ontem... tive petiço... uma dezena de goiabeiras... uma amoreira... e muitos sóis, que rodavam – girassóis – amarelos qual o ouro... e eu acreditava, estar na lua.
E brilhei... - mais do que a mais bela estrela... que despontava no azul. Nas noites... quantas vezes teimei... e teimei... contar estrelas – uma a uma – e me perdi... nas contas.
E nos ventos... empinei pandorgas e lançei malmequeres. E não sei se o minuano... - o tirano de agosto - ou aquele que soprava tranqüilo... no entardecer de janeiro... não sei qual desses ventos... o que me enviou - sem volta - para a cidade... e varreu cada palavra da minha história... para o vale infinito da saudade.
Bem que eu quis resistir, mas o campo... os cinamomos... a gadaria... a casa antiga... foram ficando minúsculos aos meus olhos que insistiam... em fitar as léguas percorridas: em somente olhar... para trás.
Quando o calor da nave-coração... invade o pensamento, a saudade é o sentimento... mais terno que a eternidade. O verde do interior... - isto eu bem sei - é a mais bela cor que um campeiro pode ver.
E quando a alma incendeia... a terra, vasta e vermelha, - vista por entre as calçadas - é alento pr’um regresso a origem... que sonho... e não tarda a vir.
E assim... por certo... quando essa saudade campeira cria asas, é tempo de cambiar o apartamento por uma chácara... e voltar a crescer com cerne e matiz... e a cultivar com amor... a própria raiz.