Alma em Verso
Poesia

Pra Sepultar Uma Alma - Alcindo Neckel

Alcindo Neckel

17º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em

A alma se eterniza além do corpo da gente!... Feridas de tresontonte o mate não cicatriza!... ... lembranças são ternuras nos retratos multicores que eternizam primores na solidão das gravuras.

A mera recordação de memórias revividas são velhas almas perdidas na sombra do casarão! ... o assoalho manchado singrando qual cicatrizes de lágrimas que o beijaram na solidão dos matizes.

O estigma é invisível aos olhares de outros... No desfazer dos encontros de um amor indelével...! ... se a marca não aparece vago por águas atoas destes meus olhos, lagoas numa dor que me aborrece!

A mesa!.. quatro lugares na cozinha já sem graça.... assombra a calma dos ares! ... a vida diz que ameniza as feridas mais doloridas. Mas, sobre dores e partidas nem o tempo cicatriza.

Já fui um potro sem dono a galopar pela noite... Me tornei um boitatá depois da luz do poente... Hoje, diabos inquietos tenteiam nos arredores e assistem dos bastidores meus fracassados dialetos!

Entre o corredor e a escada as conclusões martirizam... Uma capelinha de orações que não concretizaram ignotas intenções. ... a solidão me consome ao buscar por alimento e a alma não mata a fome pra saciar cada momento!

A alma não cicatriza... O tempo zomba de mim... Qual um laço doze braças que me pealou mesmo assim...! As tormentas já passadas se transcendem por horrendas preludiando por meu fim...!

Perambulo em desatino na clausura da mansão, já sepultei meu destino nas trevas da solidão...! ... não adianta à matéria do corpo que me conduz se a alma carrega a cruz no meu calvário sem glória!

Os degraus da velha escada e os corredores estreitos... Que já foram transitadas por vagos sonhos desfeitos...! ... uma aranha teceu a teia a perturbar meus trajetos... - desvio dela, no ir e vir!... Só que passou por apertos e aprisiona sentimentos, sabe, a dor de se reconstruir!

O quarto guarda memórias por entre destinos vagos e suas distintas histórias revivem ternos afagos...! ... teu vulto se fez distante no meu catre de pureza redesenhando a clareza pra um coração vacilante.

Ah... se o casarão tivesse torre exibiria minha cruz na arquitetura que induz o formato do meu túmulo...! ... pra sepultar uma alma que já morreu por amor restou um corpo vazio num mundo desolador!