Heranças
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Deixou todos os tesouros guardados No sótão, do galpão do meu avô, Registros nas prateleiras de encantos Repletas de memórias bem antigas Que repousam por esse doce manto.
Guardam nas tábuas sonhos atrevidos Desenhos desbotados nas paredes, Reinos imaginários e segredos Cenários que registram o seu tempo Na inocência, a infância sem medos.
No baú com a tampa arredondada Eu encontrei suas cinco marias, O bodoque certeiro e um bornal, Bola de pano feitio da vovó, Só não tem telefone com sinal...
Também achei teus livros de história Que os lia, até o lampião se apagar, Não se tinha internet para pesquisa Nem telefone com aplicativo Tampouco, convivências com divisa.
Era nessa primitiva alegria Teu desafiante maior o Pião, Torce e torce o barbante pra soltar E num turbilhão de giros e risos Quanta alegria que tinha a lembrar.
Tuas jóias raras e cobiçadas Brilhavam nos dedos num chão de terra, As bolinhas de gude em suas mãos Era alegres com os meus amigos Mas tinha estratégias e direção.
Ali, na prateleira bem atado O teu alazão de galope rápido, Num “upa”, recolhíamos o gado Um cavalinho de pau corajoso, Te carregava em sonhos encantados.
Também um carrinho de rolimã Que o vovô te ajudou a fazer, O teu sinônimo de fantasia Morro abaixo acelera o coração... As mãos impulsionavam alegria.
Guardou neste galpão tuas memórias... Repousam a melhor parte de ti, E hoje, o muito que sou e trilho É ter vivido contigo a infância Que a deixou, para mim, o seu filho.