Cantiga Para Meu Povo
Bem ali junto das pedras das aguadas cresceu e se criou cada dia mais forte. Com uma formação de lei muito antiga Onde era possível ver sua genealogia. O povo era de força e talento para o trato e acreditavam ser sim este o seu norte, Prosperar, lutar e viver todos os dias, eram as palavras de ordem desejadas.
Vigorosos qual a terra nova que recebiam sabiam que tinham que aplicar sua faina para receberem em troca os frutos maduros, e “su i monti” eles viram o sol a brilhar com mais graça para os que sabem sim dizer amém para a vontade de Deus. Uma nova pátria era o que eles tinham para poder fazer o melhor entre os seus.
O mato cerrado deu espaço à brotação Depois da coivara laboriosa veio à lida, a lavoura nova era tudo de mais sagrado pois o seu provento era cuidado com zelo. Para matar a fome que sempre rondava e não permitia que a vivência prolongasse, homens e mulheres se lançaram ao campo sem nunca deixar de sonhar com o melhor.
A noite grande com seu manto de nuvens vinha açudada para derramar o orvalho e deixar o seu beijo marcado nas vinhas que partiam os cachos de rubi escarlate. Com o aroma doce e imaculado do néctar era possível buscarem suas lembranças o gosto do sumo bebericado por todos na antiga e boa terra deixada para trás.
Ao fim da lida retornavam para o rancho pau a pique coberto de palha para o sono. os scandoles foram cedendo o espaço para as casas definitivas que ali nasciam.
As pedras dos beirais foram perfiladas, as encostas ganhavam abraços de pinho e os telhados mandavam um sinal gris com a boca fumegante das chaminés.
Nos porões aglomeravam mantimentos junto com a palha de milho e a graspa, e o frio ali se arranchava para dormir sem dar importância para o restante. Já no sótão era tudo muito diferente a cama com as suas cobertas grossas era o ninho da visita que se achegava trazendo a boa nova de plagas distantes.
A casa como um todo, tinha alma... Que quando se encontrava silente e só enchia o seu ventre com a luz do dia ou então com ventos profanos do sul. O fogão era o coração sempre pulsante. pelos postigos fugiam dialetos e cantigas e as portas eram escancaradas em honra ao clamor efusivo das familias festivas.
A tabatinga amarela tomava conta das paredes deixando uma cor pobre, porém marcante pisos brutos e móveis eram feitos a capricho para o uso direto daqueles que ali viviam. As tinas eram povoadas de tempo em tempo e repisadas para liberai o liquido esmaecido e as pipas sempre gordas e borrachonas vertiam o vinho já maturado pelo trato.
Ao longo da linha transitória entre as vilas Amanheciam homens de mãos calejadas Forcejando com muita felicidade e orgulho Para levantar as paredes do templo sagrado. Erigidas em ofertório as graças alcançadas Para depois receber com toda a fé e presteza Seus ilustres párocos que traziam a reza Para povoar as almas destes imigrantes.
E as mulheres se colocavam de joelhos por clamor e devoção ao santo milagreiro, orações balbuciadas e terços nas mãos para agradecer a polenta no prato de todos. O fervor religioso e a vigília nas noites acompanhavam os nascimentos difíceis, e quando vingava mais um da família e em nomes santificados eram batizados.
As vacas tambeiras entregavam o apojo no desjejum com bolo de milho fumegante, e sempre era festa no dia a dia de todos que viam a existência qual uma dádiva. Os bois de canga eram parceiros de lida e entregavam a sua força em irmandade para o trabalho braçal dos homens rudes que esperavam a terra frutificar o labor.
O seu Zé mascate por vezes aparecia trazendo fumo, charque e belos tecidos, Carregando sempre nos alforjes das malas Tudo que poderia vender por ali na vila. Quando partia levava outros produtos banha, toucinho, queijo e o bom vino para entregar no armazém lá de Caxias ou mais além nas bandas da capital.
A Nona sempre lidando com a dressa chapéus e cestos usados no cotidiano que se vince, o pur si muore dizia ela Já do alto de sua sabedoria maternal. E todos levaram consigo o dito sagrado Sem nunca perdera a esperança buenaça
Fortalecendo o sorriso e a comunhão de uma prole que insistia em viver ali. No foccolári sempre guardavam o calor da brasa viva qual esperança madrugadeira onde todos os dias se reuniam os de casa para as conversas recebidas e empolgantes. No dialeto vêneto com um tom de alegria sempre usado até pela boca dos novos que escutando muitas histórias remotas citaram memórias novas e tempos antigos.
E com o talento do nosso povo italiano a vida se fez morada nas cidades da serra nunca mais deixaram o torrão gaúcho pois ali eles foram cada dia mais feliz. Na mescla gloriosa que cresceu altiva Com uma marca timbrada na vontade, nunca perderam as lembranças de lá porém sempre vivendo o futuro daqui.
Por honra e por amor ao povo trentino levamos mais longe uma terna cantiga que embala as lembranças adocicadas de um tempo que nunca há de morrer. Sabemos que os imigrantes são irmãos do nosso povo aguerrido aqui do sul em uma saga reiuna que nunca encerra cantamos a Merica, Merica, Merica!