Lanterna de Vagalumes
Poemas Para a Infância - 10º Celeiro da PoesiaPublicado em
Eu brincava de lanterna de vidro, com vaga-lumes.
Eu embretava as estrelas num cavalinho de pau, me sentia dona delas, no universo do quintal.
Ah... meu Deus, que bom seria se eu não tivesse crescido e as asas da fantasia voassem sempre comigo.
Uma menina e sua boneca brincando de ser feliz, com gemada na caneca e na ponta do nariz.
Franja, maria-chiquinha e um vestidinho de chita, pulando amarelinha, encaçapando “bulita”.
São dessas artes, eternas, que a infância guarda o perfume. Eu brincava de lanterna de vidro, com vaga-lumes.
Nestas noites, sem limites, indagava, ante o breu, quantas estrelas existem no infinito do céu?
Quanta emoção me cabe, na moldura da lembrança, quando acende uma saudade desses luzeiros da infância?
Minha alma ficou lá neste universo só meu, que dava pra iluminar com lanterninhas de Deus.
A menina foi tão breve, a moça se refugia, quando brincando se atreve acender-se de poesia.
A lua vem pros meus olhos, cheia de estrelas tão alvas... Os versos que me dão colo, São as lanternas da alma.