A Utilidade do Sebo
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Depois que peste suína Acabou com a porcada Nunca mais pude comer Uma polenta engraxada. Subiu o preço da banha O azeite é uma parada Por isso apelei pro sebo Mas que graxinha danada. Enquanto é quente apetece, Porém, se esfria endurece E na goela dá uma guasquiada.
Para o meu aniversário, Que foi neste mês passado, Convidei quarenta chinas Que eu já tinha namorado, Comprei dois barris de vinho, De canha, três engradados. Preparei um carreteiro E um baita dum revirado, A minha grana sumiu, Mas larguei o mulheriu Com o beiço todo ensebado.
Um candidato a prefeito O tal Pedro Missioneiro, Deu um chego lá por casa, No meu voto intereceiro, Antes dele abrir o papo, Fui perguntando primeiro Se apreciava bolo frito, Dum fubazinho caseiro; O convite ele aceitou Mas quando o sebo cheirou Não vi mais o companheiro.
Um italiano sovina Que chamava Perceval, Andava de casa em casa Comendo que era um bagual, Convidei este vivente Prum almoço no Natal, Coloquei bastante sebo E o gaúcho se deu mal; Logo lhe roncou as tripas, E gritando “Porca pipa”, Se atracou num matagal.
Desde que eu passei usar O sebo na refeição, Por incrível que pareça, Não vi mais nem um ratão, Sumiram meus quinze gatos, Só ficou um no porão, Porque está descaderado E maneta de uma mão. E os, vinte e cinco guaipeca Nem a toque de rebeca, Voltam a comer meu feijão.