A Roda da História Roda
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Desconforme e lerdarrona... longeva genialidade tracionando a história grega nos longes da antiguidade...
O mundo ganhava rodas e mil rumos para rodar...
...Moisés saiu do Egito levando o povo hebreu... ...Roma cruza a Galiléia até a Península Ibérica... ... Ramsés o faraó combateu os filisteus...
A roda rude do tempo revelou-se rediviva... gerações se renovaram... impérios viraram cinzas, soberanos sucumbiram... anseios contemporâneos transformaram continentes, escravizaram conceitos, cruzaram raças de gente...
... Aliados cobiçosos chegaram ao mundo novo... ... missionários redentores batizavam curumins... ... bandeirantes desbravaram pra rodados e cambões... ... bateias turvaram águas enxaguando aluviões...
Ajojo, broxa, regeira, canga, muchacho e tamoeiro... infindas léguas remotas e o rangido varonil das precursoras cambotas...
... A colônia virou império mas nunca levou a sério os monarcas cá da pampa... clarinadas provincianas retumbaram na distância... ... um barco cruzou rodando as coxilhas da querência... (e a carreta foi trincheira pra escorar carga de lanças...)
Erva, charque e farinha... Arrobas, cestos e surrões... razões e rodas rodando serras, fronteiras missões... no paciente “eira boi” um telúrico atavismo, comboios ziguezagueando num terrunho nomadismo...
... O império virou república, a província virou estado... ... novas contendas provindas de caudilhos malogrados... carreteiros visionários e anseios persistentes, na mesma rota remota seguiam indiferentes...
Mas... tribunos gritaram leis... brazonaram “pergaminhos”... importaram novidades... cimentaram os caminhos... e quem viveu estradeando no tranco lerdo de sempre, viu seu mundo rotulado por arcaico e decadente...
Cogotes gastaram cangas... regeiras rustiram mãos... breques queimaram “tamancas...” os eixos afunilados foram ficando folgados nas cambotas cambaleantes.
O ágil matou o lerdo... a força bruta do boi foi aos poucos relegada, a carreta por refugo perdeu o rumo na estrada... ... carreteiros com seus trastes e mágoas salgando vozes se viram ultrapassados por rodados mais velozes...
Legalizaram atalho pra o moderno itinerante, e a imprevista transcendência projetou novos trajetos na primitiva querência...
... A roda real da história segue rodando simplória nos confins da realidade... rangidos rasgam silêncios em reverente saudade... quarteando quatro milênios na história da humanidade...!