Das Auroras Inexistentes
II Festival Querência Amada - RolantePublicado em
Parei de criar cavalos na estância do improviso que pra chegar ao paraíso é preciso muito pouco se o céu é o abrigo dos loucos e viver aqui é loucura eu sou mais uma criatura que está se mudando aos poucos..
Cansei do cheiro de terra que só havia nos versos que o campesino universo de casuarinas e esporas e outros trastes lá de fora só existem como tema um mote para os poemas de inexistentes auroras...
Deixei do vicio empolado de me fingir de campeiro que o tempo, meu companheiro não aceita meias verdades e ando pouco a vontade nestas pilchas domingueiras compradas em sobra de feira aqui no centro da cidade...
Abandonei os bolichos e os churrascos de garagem que a gauchesca mensagem dos homens anda esquecida minha gente anda sorrida apanhando sem ajuda como cavalo de Judas pelas quermesses da vida...
Não mais cantarei estâncias com alqueires de trevais que o pátio dos meus iguais não tem nem grama paulista e embora a memória insista em me puxar ao passado não vou morrer afogado no arroio dos saudosistas...
Eu quero um outro universo baseado em antigas crenças aonde não haja sentenças compradas a peso de ouro aonde haja berro de touro no campo e não nas canções e apenas as emoções arrepiem nosso couro...
Talvez assim eu repense esse meu inconformismo que o templo do gauchismo sempre foi a liberdade seja no campo ou na cidade é preciso entender a premissa de que só com paz e justiça se é livre de verdade!