2 . A Dor
Cláudio Silveira e Cristiano Ferreira Pereira
9º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em
Dor... Que é sofrimento... ... das feridas; tormento, aflição ...do desamor; pena... remorso, arrependimento... dó dos bichos... ... dó de si; ou apenas... Dor.
...Foram-se as eras... ...passaram-se os tempos... ... séculos e séculos... E ela como um aço inquebrável jamais deixou de existir... qual uma sombra a seguir o homem, na guerra, na angústia, na fome, na saudade... ofuscando o lume do nosso sorrir...
Mas... mesmo com a sua presença não deixaram de se perfilarem as Pátrias, resenharam-se as fronteiras, repontadas pelos homens que faziam da Dor mais um horizonte para ser cruzado; rasgadores de hemisférios... campeadores de paz e novos rumos, a pelear por seus ideais, por algo mais... inclusive pela Fé e... seus Mistérios.
Forjava-se então o Rio Grande no alvorecer de sua história; em meio a belezas e riquezas... habitava a revolta, o horror,
a vergonha... O índio era mutilado... morto, ... tombado ... vencido .... humilhado... condenado a fazer parte de um passado... na dor da carne e da alma...
... Os homens dos arreios... que embora rudes e vaqueanos, tiveram as vidas marcadas por dor, no seu mundo “rural”... ... a dor resultante de um golpe de bagual e... dos tirões de um laço de esperança que muitas braças tinha... a dor do cansar do braço quando boleava groteiros campo afora... da impotência ante aos desmandos e desvelos ou...quando as ausências se faziam esporas... a lhes rosetear em puaços...
Veio, então, o compasso dolorido das tropas que marchavam, rumbeando pros saladeiros, e até as almas dos tropeiros sentiam a dor da marretada mortal... E das rezes pealadas porteira afora para a marca incandescente e o fio da faca que resenhava o sinal... dos malinos cerdas grossa que caiam enleados ao maneador, condenados a morrer sem descendência, pintando quadros na Querência de vida, lida e ... de dor.
Existem exemplos outros... Quando no espelho de sangue do Rio Negro, A Dor sorria, vibrava – sem rubores – por haver conquistado uma vitória ao ludibriar ambas as cores; quando lâminas cortaram pela fama dos senhores, brandindo o aço dos mitos em nome de pecadores.
E o gume impiedoso de sua espada, cortou junto das lanças e adagas pra cobrir de rubro o poncho verde das planuras, na inerte loucura das guerrilhas, de matar e matar... ... e os ranchos... na dividida dor de quem partia, peleava e tombava, e de quem ficava, esperava... e esperava na infinda prece para esse tempo terminar.
...Dor... ...não a vemos... apenas sentimos nas Dantescas imagens das batalhas ou no cristalino espelho das lágrimas, que peregrinam andarilhas nos caminhos da face daqueles que sentem saudade.
São esses olhos que hoje bombeiam a volta, a vislumbrar tanta dor... são retinas do pago que guardaram o que viram e o que sentiram... por campeiro dentre a lida... por humano e pecador... querendo não mais senti-la para que essa força... nos leve cada vez mais pra o rumo certo do Amor!...