11 Silêncios de Barro e Pedra
II Tertúlia da Poesia - Santa MariaPublicado em
Nestes silêncios de barro e pedra Pelos "adentros" de mim, padeço... Há na incerteza, que vinga e medra lalvez a herança do que mereço! ... Teus sinos calam, verdade e espera que são a história, assim, do avesso... Em teus guardados, os memoriais Contam a senda dos ancestrais gritam o passado, a cobrar seu preço...
Os casórios desses joões-barreiros - Fortins erguidos com pena e suor São como os sonhos de tantos "guerreiros" que de sua alma, deram o melhor... Guardam anseios, de quem primeiro fez desta pampa, um lugar maior... Pontas de lanças e imagens tantas são testemunhas, nesta terra santa de uma luta insana, que semeou a dor...
Entre os umbrais que te permeiam Escuto vozes... em tons de conselhos! Pra o índio incréu, meros devaneios mas eu sei que a elas me assemelho... Sou como as almas, que aqui andejam - Irmãs antigas, deste chão vermelho! Sempre fui terra, entre várias vidas... Ao retornar agora, pra lamber feridas minhas memórias me põem de joelhos!
Ainda marcado pelas circunstâncias eu jamais vergo nestes descaminhos! Peão sem chão, não tenho estância nem sou afeito a muitos carinhos... Mas guardo minha fé, nesta constância de buscar meu "eu" mover moinhos... Tenho a firmeza das tuas paredes Em tuas entranhas, mato minha sede espírito livre, que retorna ao ninho!
Nestes silêncios, de barro o pedra O dia cansa e, enfim, adormece... E quando de novo, ele encantar a lua talvez o sul ainda me encontre em prece... Respiro a magia em tua fortaleza...
Quem sabe os sinos, algum dia, à frente vão além das vozes que ninguém traduz... E gritem à pampa, o que a tua semente deixou de legado, aos olhos da cruz e de novo dobrem, pela nossa gente que ainda sonha um tempo do luz! A todos fascina este povo lendário que bradou coragem pelos campanários e que ao próprio tempo, até hoje seduz...
Quantos "Sepés"... e quantos avós! Sei que sou parte da tua natureza mesmo em ruínas, não me sinto só... Gritam os de antes, não há voz presa hei de orgulhar-me de voltar ao pó! Nesta simbiose entre homem o terra me alimento do que em ti encerras e o coração já se desfaz dos nós...
Braços me abraçam... vejo a cruz silente há sal nos olhos, a nublar-me o olhar há o tempo algoz, que não se ressente das dores que trago... deste meu pesar o solo sangra, o homem ainda mente sobre o que os livros não irão contar... Não há limites para os sentimentos nem para as razões que pateiam dentro do quem traz missões no seu andejar...
Minh' alma índia rompeu as fronteiras buscando a benção n chão guarani... Linhagem "gaucha", estirpe guerreira alma do campo, a liberdade em si! Seguiu o grito das vozes campeiras e de todo sagrado, que emana de ti! Me fiz coragem pra singrar querência atendi apelos do minha consciência sei bem quem sou e ao que sobrevivi!
Nestes silêncios, de barro c pedra ecoam missais - e minha oração ... sem boleadeiras mas pronto pra guerra a esperança me estendeu a mão.
Quero em teu barro, poder renascer e em tuas pedras, ter meu alicerce sei que um novo tempo ira acontecer onde o amanhã, ao ontem reconhece... De tanto ver a pampa amanhecer Aprendi que a noite, as dores recrudescem... ...mas sonho caciques juntando se a mim Prá um novo embate, que bem lá no fim reescreverá meu sul, como ele merece!
Nestes silêncios, de pedra e barro há um ritual de entrega, onde me fortaleço vendo o que prezo e que me é tão caro sei que a justiça errou de endereço! Ao meu povo índio, hoje me agarro e a ele dedico minha reza em terço fecho meus olhos - já não há rancor deixo a “cruzada" sem nenhum temor deixo a matéria e, enfim, adormeço!