10 – Silêncio - Henrique Fernandes
15º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em
A prudência do silêncio guarda o valor da palavra... ...palavra- trança redonda que dá mais fina lonca desquino nas madrugadas...
...quando a quietude da noite me traz visagens de um tempo que emboneca o sentimento no florir das alvoradas.
A voz das velhas carretas também clamam por silêncio... ...eixos e rodas que cantaram salmos tristes e dolentes fazendo a alma da gente se quedarem silenciada.
Então retoço a quietude que porfia com a virtude que se entaipa na palavra. ...a luz dos campos floridos trazem a essência de vida a cada troca de lua.
Na voz dos freios, das puas, que também buscam silêncio, tal se a basteira das horas emudecessem as esporas num atavismo charrua.
Pensativo cevo um mate, e estendo outro ao silêncio... Uma cigarra campeira me ínvida para um verso, mas meu silêncio insistente faz "escarcialo" na mente apenas em pensamento.
Minha guitarra recostada também se para calada, pois os sonhos que almejo tão "lejos" de seus arpejos escarceraram sua toada.
Apresilho o argumento escorado a obra humana em sensitivas paragens destaperando as imagens do tantas crenças profanas.
É na cruz do batistério que me compreendo calado... ...e esfacelo o pecado vicietudes mundanas. Fecho os olhos e encontro A esperança do verbo E como sa luz na distância inebriace o escuro...
...vejo um silêncio maduro me apontando o norte e o trilho pra que a palavra que encilho tenha rumo certo e seguro. Busco na chaira do silêncio assentar o fio do que falo... ...como os tentos de um bocal que aos golpes e tironaços sujeita um potro aos golpaços para torná-lo cavalo.
E outro mate me ínvida quando o chio da cambona porfia ânsias refletidas no espelho da cuia lavada... ...porongo adentro desfolho -no livro- refletido dos olhos a profundeza da minha alma.
...vejo um silêncio maduro me apontando o norte e o trilho pra que a palavra que encilho tenha rumo certo e seguro.
Quantas palavras de veneno tornaram o homem pequeno nas dores ternas da terra.. ...brados em voz caluniosas, em mentiras pretensiosas para o rebroto das guerras.
Por isso... ...te peço perdão meu silêncio companheiro. Pelas vezes que não te ouvi olvidando o que aprendi das tuas rimas caladas. Foi com a boca fechada que nunca me arrependi de manear minhas palavras. Cristo, revelou seus mistérios usando o simples critério na sua humildade de pai. ...ensinou que o que envenena não é o que entra na boca, mas sim o que dela sai.
Agora compreendo solito, na inocência do meu mundo, que a cada novo segundo a vida passa num sopro. Sento as garras no silêncio... com trastes fortes, sovados, e encilho a palavra calado como se encilha um potro.